Turma 2 - Inscrições 29/03 a 02/04

Arte Urgente

IMAGEM CONTEMPORÂNEA E CEGUEIRA. A ESCURIDÃO COMO PROCESSO INVENTIVO NAS ARTES VISUAIS.

ADRIANO MORAIS DE FREITAS NETO

Carga Horária: 20h
Período: 05 a 16/04 segunda a sexta feira
Horário: 13h30 às 15h30
Número de Vagas: 20
Classificação: a partir de 18 anos
Modalidade: online

Ementa

A quem pertence a imagem? Quais os sentidos possíveis para a sua criação e para sua apreciação? O que da imagem se mostra e o que se esconde? O que faz da imagem ser visível e… ser visível será realmente sua condição primeira?

Questionamentos que entendo pertinentes ao território das artes visuais e que, ao mesmo tempo, extrapolam esse território, por tensionarem essa área desde a sua nomenclatura até as suas produções possíveis. Perguntar “a quem pertence a imagem?” é também perguntar a quem pertence as artes visuais, tendo em vista a carga sensitiva produtora de hierarquias nos sentidos, onde a visão ocupa posição privilegiada, que essa área carrega na sua nomenclatura. Mas será que somente do que se vê sobrevive a imagem e as Artes Visuais? A visão parece dentro deste campo, ser peça chave para a produção de imagens, e a sobrevivência destas por vezes está atribuída ao que se está muito bem iluminado, muito bem visível. Assim, luz e visão acabam constituindo uma relação direta com o ato criativo nas artes visuais. 

Tendo como objeto a imagem e sua constituição nas artes visuais, a proposta deste minicurso busca principalmente investigar o ato criativo, dentro do campo da imagem, a partir da cegueira. Essa investigação se faz sobretudo no tensionamento das dicotomias ocidentais produzidas, onde a criação tem relação direta com a visão e a luz, enquanto a cegueira habita o lado da escuridão e da não-criação. Em vez de buscar a luz para a cegueira, interessa aqui o seguinte problema: como inventar habitando a escuridão, habitando a cegueira? Entende-se assim que habitar os territórios da escuridão, se faz importante sobretudo por ser uma questão contemporânea. Agambem (2009) aponta que o contemporâneo é o que não se deixa cegar pelas luzes do século e consegue ver nelas as sombras, a sua obscuridade. Ao mesmo tempo é o que percebe nessa escuridão uma luz em constante distanciamento de nós. 

Assim, habitando essa escuridão, é importante aqui além de compreender como e quando se constituiu a imagem como produto meramente visual e a visão como sentido hegemônico, tensionar isso e ao mesmo tempo afirmar a produção imagética a partir do invisível, da escuridão e da cegueira.

Para isso entende-se também que as questões e conceitos relacionados ao espaço (cidade, lugar, urbano, território), ao corpo e aos sentidos não podem passar despercebidos, já que estes agenciam os modos que representamos, significamos e presentificamos as nossas experiências em imagem por exemplo. Para discutir essas questões propõe-se um total de 20 participantes, onde metade seja composto por pesquisadores ou interessados nas questões relacionadas à imagem contemporânea e a outra metade composta pela comunidade cega.

Do ponto de vista metodológico, o minicurso terá o total de 20h/aulas e será realizado diariamente de forma remota por algum software de videoconferência (google meet por exemplo), durante cinco dias com 4 horas cada. Neste tempo, o minicurso pretende uma abordagem prático-reflexiva, onde a dimensão das reflexões e conceitos estabelecidos serão agenciados além das falas, também por experiências práticas com o público, a partir das contextualizações históricas, estéticas, filosóficas e políticas e a partir da apreciação de imagens da arte e as leituras desta (com as devidas audiodescrições para o público cego). Esta estrutura, definida por Ana Mae Barbosa como abordagem triangular, não será partimentada e definida por momentos específicos do minicurso, mas estarão constantemente num fluxo dentro do curso: Ao examinarmos uma imagem, refletiremos também as questões históricas e filosóficas por trás dela, ao passo que esta imagem possa também potencializar uma experiência prática.

Minibio

Mestrando do PPGARTES-UFC, participante do Laboratório Artes e Micropolíticas Urbanas (LAMUR). De 2018 a 2020 foi professor substituto do curso de Licenciatura em Artes Visuais do IFCE. Licenciado pelo mesmo curso. Realizador em audiovisual formado pelo curso de realização em audiovisual da Vila das Artes. Possui pesquisas em imagem, cidade, arte contemporânea e arte-educação. De 2016 a 2019 foi responsável pela equipe de audiovisual do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) sobre a pesca artesanal do município de Beberibe, pelo IPHAN-CE.

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